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6. Relações semânticas: conectando conceitos

Aqui está o coração da organização. A seção "Relações Semânticas" liga um conceito a outro conceito (nunca a um rótulo). Existem quatro tipos de relação, cada um com um significado preciso.

6.1 Mais amplo (BT) e Mais específico (NT) — hierarquia

A relação hierárquica diz que um conceito é um caso particular de outro. É a relação de "tipo de / parte de".

  • Mais amplo (BT) = Broader Term — aponta para o conceito mais geral (o "pai").
  • Mais específico (NT) = Narrower Term — o inverso, o conceito mais particular (o "filho").

Elas são recíprocas automáticas: se você marca que dor de cabeça tem como mais amplo dor, o sistema já registra que dor tem dor de cabeça como mais específico.

O tipoUso.txt está cheio de hierarquias esperando para ser montadas:

graph TD
    MED["medicinal"] --> RESP["problemas respiratórios"]
    MED --> DIG["problemas digestivos"]
    MED --> DOR["dor"]
    RESP --> ASMA["asma"]
    RESP --> BRON["bronquite"]
    RESP --> TOSSE["tosse"]
    RESP --> PNEU["pneumonia"]
    DIG --> AZIA["azia"]
    DIG --> GAST["gastrite"]
    DIG --> MADIG["má digestão"]
    DOR --> DCAB["dor de cabeça"]
    DOR --> DDEN["dor de dente"]
    DOR --> DCOS["dor nas costas"]

Todos esses termos existem na lista: medicinal (299), problemas respiratórios (374), asma (19), bronquite (32), tosse (425), pneumonia (347), problemas digestivos (359), azia (22), gastrite (232), má digestão (308), dor (138), dor de cabeça (140), dor de dente (141), dor nas costas (152). Montar essa árvore é o que permite, no futuro, responder "quais plantas tratam problemas respiratórios?" e receber também as que só constam como tratando "asma" ou "tosse".

Cuidado com ciclos: um conceito não pode ser, ao mesmo tempo, ancestral e descendente de outro. O sistema bloqueia isso automaticamente (você veria um aviso de "ciclo hierárquico").

A árvore que foi realmente construída, na curadoria de "Tipos de Usos de Plantas": uma árvore só, dez facetas de 1º nível, profundidade máxima 4, poli-hierarquia onde o significado exige, 318 relações broader.

graph TD
    MED["medicinal"] --> IT["indicação terapêutica"]
    MED --> AF["ação farmacológica"]
    MED --> FP["forma de preparo e administração"]
    IT --> R["problemas respiratórios"]
    IT --> D["problemas digestivos"]
    IT --> DOR["dor"]
    IT --> INFL["inflamação"]
    IT --> ETC["+20 sub-ramos"]
    ALI["alimentar"]
    MAT["material e tecnológico"]
    RIT["ritual e espiritual"]
    AMB["ambiental e ecológico"]
    COM["comercial"]
    VET["veterinário e forrageiro"]
    COS["cosmético e higiene"]
    TOX["tóxico e defensivo"]
    IND["indeterminado"]

As dez facetas: alimentar, ambiental e ecológico, comercial, cosmético e higiene, indeterminado, material e tecnológico, medicinal, ritual e espiritual, tóxico e defensivo, veterinário e forrageiro.

Doenças ficam sob medicinal, não num campo semântico separado: a alternativa exigiria mudar o conjunto de campos monitorados pela aquisição e a origem do dado no BioCultDB, e não se justifica — a distinção que importa (indicação × ação farmacológica, §6.5) já cabe dentro de medicinal.

6.2 Relacionado (RT) — associação entre iguais

Relacionado (RT) = Related Term liga dois conceitos distintos e igualmente válidos, que se associam por contexto — sem que nenhum seja "tipo de" o outro nem mais correto que o outro. É uma relação simétrica (vale nos dois sentidos).

Exemplos do tipoUso.txt:

  • gripe (236) relacionado a resfriado (392) — quadros diferentes, frequentemente confundidos e tratados com as mesmas plantas; conectá-los ajuda a consulta. Mas não são a mesma coisa (não use sinônimo) nem um é tipo do outro (não use hierarquia).
  • verme (443) relacionado a vermicida (445) — um é a doença/parasita, o outro é o efeito da planta; associados, mas conceitos distintos.

A campanha de 713 termos não criou nenhuma relação RT — o plano não as previa — e gripe ↔ resfriado segue sendo o candidato óbvio da próxima passada. Serve de exemplo honesto: RT é opcional, hierarquia e rótulo não.

6.3 Sinônimo de (aceito) — equivalência com um termo preferido

Esta relação é a que exige mais atenção, porque é fácil confundir com rótulo alternativo (veja o §7). Use "Sinônimo de (aceito)" quando dois conceitos já existem separadamente no banco, significam a mesma coisa, e você quer marcar que um é o termo aceito e o outro é apenas um sinônimo dele — sem apagar nenhum dos dois (para preservar o histórico e a proveniência de cada um).

  • A relação é direcionada: parte do sinônimo e aponta para o conceito aceito.
  • O conceito aceito exibe seus sinônimos em "Sinônimos deste conceito" (somente leitura).

Exemplo: suponha que a coleta criou, de artigos diferentes, os conceitos separados tranquilizante (427) e calmante (38). Você decide que calmante é o termo preferido. Então, na edição de tranquilizante, adicione "Sinônimo de (aceito)" → calmante. Pronto: tranquilizante fica marcado como sinônimo, e calmante passa a listá-lo entre seus sinônimos.

Por que esta relação existe, se o SKOS puro trataria sinônimos como rótulos? Porque, quando dois conceitos já foram curados separadamente (cada um com sua definição, notas e proveniência vindas de fontes distintas), transformá-los num conceito só apagaria essa história. A relação de sinônimo os reconcilia sem destruir o registro de origem de cada um. Ainda assim, o padrão recomendado é evitar chegar nessa situação — veja o §7.

Evidência real: em 713 termos crus, zero relações de sinônimo se justificaram, porque termo cru não tem definição, nota nem proveniência própria a preservar. Confirma a preferência do §7: um conceito com vários rótulos.

6.4 A regra que impede contradição

Dois conceitos ligados por Sinônimo não podem também ser ligados por Relacionado (RT) — o sistema recusa. Faz sentido: "Relacionado" afirma "somos dois conceitos igualmente válidos"; "Sinônimo" afirma o oposto, "um de nós é o preferido, o outro não". As duas relações sobre o mesmo par seriam contraditórias. Pela mesma lógica, um conceito não pode ser sinônimo de si mesmo, nem dois conceitos podem ser sinônimos recíprocos um do outro (só um lado pode ser o "aceito").

6.5 Indicação terapêutica × ação farmacológica

O erro mais frequente do corpus bruto: febre é o que a pessoa tem, antitérmico é o que a planta faz — conceitos diferentes, ramos irmãos sob medicinal, nunca o mesmo conceito nem hierarquia entre si.

Pares reais para reconhecer o padrão: febre/antitérmico, gripe/antigripal, verme/vermífugo, inflamação/anti-inflamatório, insônia/sedativo, prisão de ventre/laxante.

O caso mais fino, decidido pelo curador: sedação não é rótulo de sedativo — sedação é o estado obtido, sedativo é a propriedade atribuída à planta; absorver um no outro apagaria a distinção.

Há ainda um terceiro ramo sob medicinal, forma de preparo e administração, onde ficam banho, chá, emplastro, xarope — via de administração, não indicação nem ação.