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7. Guia de decisão: qual mecanismo usar?

Esta é a pergunta que mais gera dúvida: "os termos X e Y são a mesma coisa — uso rótulo alternativo ou relação de sinônimo? E se não forem a mesma coisa?"

A diferença crucial é de nível:

  • Rótulo alternativo = outro nome para a MESMA linha do banco (o mesmo conceito, o mesmo id). Não cria nada novo — só acrescenta um nome ao conceito que você está editando.
  • Relação de sinônimo = UMA linha apontando para outra (dois conceitos, dois ids, cada um com sua própria definição e história).

Fluxo de decisão para dois termos parecidos:

graph TD
    Q1{"Os dois termos significam<br/>a mesma coisa?"}
    Q1 -->|Não| Q2{"Um é um caso<br/>específico do outro?"}
    Q1 -->|Sim| Q3{"Já existem como DOIS<br/>conceitos separados no banco?"}

    Q2 -->|Sim| R_HIER["Hierarquia:<br/>Mais amplo / Mais específico<br/>ex: dor de cabeça → dor"]
    Q2 -->|"Não, só se associam"| R_REL["Relacionado (RT)<br/>ex: gripe ↔ resfriado"]

    Q3 -->|"Não, é um conceito só"| R_LABEL["Rótulo alternativo (ou oculto)<br/>no mesmo conceito<br/>ex: gripes = alt de gripe"]
    Q3 -->|"Sim, e quero preservar<br/>a história dos dois"| R_SYN["Relação de Sinônimo (aceito)<br/>ex: tranquilizante → calmante"]

A mesma decisão, na ordem em que a curadoria do campo "Tipos de Usos de Plantas" aplicou cada teste:

Situação no corpus Decisão Exemplo
Plural do mesmo termo rótulo alternativo gripes → gripe
Variante de regência rótulo alternativo dor de estômago, dores estomacais → dor no estômago
Grafia incorreta ou pré-Acordo rótulo oculto diarréia, gazes, hemorróidas
Termo em inglês rótulo alternativo, language: eng headache → dor de cabeça
Caso específico de outro hierarquia (broader) dor de cabeça → dor
Distintos mas associados relacionado (RT) gripe ↔ resfriado
Termo composto (nomeia dois conceitos) rótulo oculto nos dois + depreciar apontando o primeiro (§7.4) gripe e tosse → oculto em gripe e em tosse
Qualificador colado (um conceito + detalhe do artefato) depreciar apontando o núcleo (§7.5) construção (caibros e ripas…) → construção
Sem conteúdo informativo depreciar → indeterminado outros, dúvida
Pertence a outro campo não tocar (§7.6) fumo

Preferência recomendada: sempre que possível, prefira um conceito com vários rótulos em vez de vários conceitos ligados por sinônimo. A relação de sinônimo é a exceção (para quando juntar apagaria proveniência), não a regra. Um vocabulário com muitos conceitos "sinônimos" uns dos outros, quando poderiam ser um só, é mais difícil de manter.

7.1 O caso clássico: trocar qual rótulo é o preferido

Situação real: o conceito foi criado com o preferencial alimentação, mas você decide que o termo preferido deveria ser alimentar (ou o inverso). Você não troca o tipo do rótulo diretamente (isso deixaria o conceito sem nenhum preferencial por um instante). O fluxo correto:

  1. Adicione o novo nome como rótulo Alternativo (formulário "+ Adicionar Rótulo").
  2. No card desse novo rótulo, clique em "★ Tornar Preferencial".

O sistema promove o novo a preferencial e rebaixa o antigo a alternativo na mesma operação, sem nunca passar por um estado inválido. Tudo continua sendo um conceito só.

7.2 Nomes vernaculares do mesmo conceito: alternativo, não relacionado

Dois ou mais nomes vernaculares para a mesma planta são, por padrão, rótulos alternativos de um único conceito — nunca conceitos separados ligados por "Relacionado". É a regra de ouro (§2) aplicada a nomes populares: mesmo significado → um conceito, vários rótulos.

  • Ex.: gervão, gervão-roxo e rinchão usados pela comunidade para a mesma planta → um conceito, um pref (âncora de exibição, §3.5) e os demais como alt.
  • "Relacionado (RT)" estaria errado aqui: RT liga dois conceitos distintos (como gripe ↔ resfriado, §6.2). Usá-lo para nomes da mesma planta fragmentaria a espécie em vários conceitos e apagaria o fato de que são o mesmo.

A exceção (etnotaxonomia). O teste não é "mesma espécie científica" — é "mesma unidade de significado para quem usa o nome". Às vezes a comunidade distingue dois nomes como plantas diferentes (por morfotipo, sexo, estágio ou uso), embora o botânico os agrupe numa só espécie (sobre-diferenciação — ver §7.3). Nesse caso são dois etnotáxons distintos:

  • ligue-os entre si por Relacionado (RT) (associados, mas distintos);
  • o nome científico que o botânico atribui aos dois não entra aqui: ele fica registrado na Evidência do BioCultDB, ao lado de cada nome vernacular (§7.3).
graph TD
    Q{"A comunidade trata os<br/>nomes como a MESMA planta?"}
    Q -->|Sim| A["Um conceito<br/>· 1 pref + demais alt<br/>(rótulos alternativos)"]
    Q -->|"Não, são plantas<br/>diferentes para ela"| R["Dois conceitos<br/>· ligados por Relacionado (RT)"]

Compartilhar a espécie científica não basta para ser o mesmo conceito. Co-referência não é identidade conceitual: quem decide se é um ou dois conceitos é a distinção de significado na comunidade, não a determinação taxonômica.

7.3 Nome científico: dado do BioCultDB, não conceito daqui

Pergunta natural: se o nome científico e o nome vernacular apontam para "a mesma espécie", não deveriam ser um só conceito (o científico como pref/lat, o vernacular como pref/por)? Não. Eles co-referem — apontam para plantas sobrepostas no mundo real — mas não são o mesmo conceito. Co-referência não é identidade conceitual (§2).

E desde 2026-08-10 a pergunta deixou de se colocar neste vocabulário: o Campo Semântico "Nomes Científicos de Plantas" saiu do escopo de curadoria (decisão). O nome científico permanece dado da Planta no BioCultDB, verificável em autoridade externa (WFO, IPNI, GBIF). Aqui, o conceito é só o vernacular. As três razões que impediam a fusão são as mesmas que tiraram o campo do escopo:

1. Etnotaxonomia ≠ taxonomia científica. O nome vernacular denota um etnotáxon — uma unidade de classificação cultural, que raramente casa 1:1 com a espécie lineana:

  • Sub-diferenciação: um vernacular cobre várias espécies (ex.: gervão → várias Stachytarpheta).
  • Sobre-diferenciação: vários vernaculares (por morfotipo, sexo, estágio, uso) para uma espécie — é justamente a exceção de §7.2.
  • Homonímia regional: o mesmo vernacular para espécies não aparentadas em regiões diferentes; e uma espécie com dezenas de vernaculares por povo/língua.

Fundir os dois achataria essa plasticidade num falso 1:1.

2. O nome científico tem estrutura própria — e ela é mantida fora daqui. Sob o ICN (código internacional de nomenclatura botânica), uma espécie carrega nome aceito, basiônimo, sinonímia homotípica e heterotípica, autoria e ano. Essa rede é decidida por revisão taxonômica e publicada em WFO/IPNI/POWO — um curador do BioCultTermos não tem autoridade para decidi-la. Aplicar "Sinônimo de (aceito)" (§6.3) a um binômio afirmaria uma nomenclatura que o código não sustenta. Não é só inútil: é uma superfície de erro.

3. Governanças diferentes. O científico é regido pelo ICN (objetivo, verificável, público). O vernacular é regido pela comunidade (CARE, §3.3), com proveniência por povo (§3.4) e podendo ser restricted/sacred. Um binômio latino não tem o que fazer com accessLevel, sourcePeople ou holderPeople — os instrumentos centrais deste vocabulário são inertes sobre ele.

Como fica na prática — um conceito curado, dois vínculos que já existem:

graph LR
    VER["Conceito: <b>gervão</b><br/>etnotáxon, CARE<br/>(o único curado aqui)"]
    EVI["Evidência no BioCultDB<br/>planta: nomeVernacular + nomeCientifico"]
    AUT(["Autoridade externa<br/>WFO · IPNI · GBIF"])
    VER -- "co-ocorrência<br/>por Evidência" --> EVI
    EVI -- "<i>Stachytarpheta cayennensis</i><br/>verificável em" --> AUT

Alinha com o Darwin Core (referência no rodapé): DwC trata scientificName como identidade do táxon e vernacularName como atributo associado, muitos-para-um — associação, não identidade. É exatamente a forma do objeto planta no BioCultDB.

Não há conceitos de nome científico neste vocabulário. Os que a aquisição havia semeado no BioCultDB foram removidos em 2026-08-10 (864 conceitos, nenhum deles curado: zero rótulos alt, zero definições, zero notas). O Campo Semântico não existe mais na tela. O nome científico não sai do sistema — ele nunca esteve aqui de verdade: vive na Evidência do BioCultDB.

7.4 Termos compostos: preserve as duas metades

Um termo que nomeia dois conceitos entra como rótulo oculto em ambos, e a depreciação aponta o primeiro — porque a API aceita um replacedById só, então a escolha do "principal" é administrativa, não perda de dado.

O caso que fixa a regra: um artigo dizia que a planta trata gripe e tosse; apontar só gripe apagaria a tosse do registro. Os 12 termos compostos reais da campanha:

Termo composto Oculto em Depreciado apontando
gripe e tosse gripe + tosse gripe
gripe e resfriado gripe + resfriado gripe
asma e tosse asma + tosse asma
dor e inflamação dor + inflamação dor
dor de dente e cabeça dor de dente + dor de cabeça dor de dente
colesterol e diabetes colesterol + diabetes colesterol
fígado e estômago problemas do fígado + problemas digestivos problemas do fígado
estômago e fígado problemas digestivos + problemas do fígado problemas digestivos
fígado e rins problemas do fígado + problemas renais problemas do fígado
tratamento de fígado e rins problemas do fígado + problemas renais problemas do fígado
tratamento de rins e fígado problemas renais + problemas do fígado problemas renais
uterus, urinary and ovary infection problemas ginecológicos e obstétricos + problemas renais problemas ginecológicos e obstétricos

A unicidade de rótulo é intra-conceito: o mesmo literalForm em dois conceitos diferentes é válido.

7.5 Qualificadores entre parênteses: só depreciar

Ao contrário do §7.4, aqui não há dois conceitos: há um conceito e um detalhe do artefato, que pertence ao registro de origem no BioCultDB, não ao vocabulário. A operação é depreciar apontando o núcleo.

Exemplos reais: construção (caibros e ripas com estipe) e construção (esteios com estipe) → construção; utensílios (moenda de cana e mundéu com estipe) → utensílio; medicinal (seiva do palmito jovem para desinfecção, anestésico, coagulação do sangue) → medicinal; alimentação (palmito) e alimentação (vinho dos frutos) → alimentar; calmante (nervoso), calmante infantil, calmante para os nervos → calmante.

7.6 Termo do campo errado: não tocar

O caso fumo: ele aparece no campo "tipos de uso" mas é nome vernacular; um conceito pode pertencer a mais de um Campo Semântico (fumo, artesanato e pesca têm dois sourceFields). Diante de um termo cujo lugar é outro campo, a operação correta é nenhuma — não depreciar, não absorver: ele será curado quando aquele campo for curado.